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Não falho, logo existo


Ainda sobre a leitura de "Cegueira Moral", entrando agora no capítulo 2 do livro, deparo-me com a crítica de Leonidas Donskis ao cenário já ilustrado por Samuel Butler em "Erewhon" e, mais tarde, por Aldous Huxley em "Admirável Mundo Novo". Donskis levanta a questão da impossibilidade do fracasso, que se tornou uma das características mais dolorosas da modernidade. Temos que ser bons em tudo, o tempo todo caso contrário, tornamo-nos descartáveis. Não há espaço para as derrotas, tão naturais à vida humana.

Como bem disse certa vez o filósofo Luiz Felipe Pondé, "os jovens nunca se levaram tão a sério como os de hoje". Afinal, já no início da vida somos conduzidos pela noção de sermos aplicavelmente perfeitos em tudo. Os jovens de agora são pretensiosamente mais intelectuais que os intelectuais de anos passados. Soaria ofensivo dar-lhes o direito ao erro. Em tudo que fazem estão corretos, porque precisam estar corretos. Não há caminho para o reconhecimento do menor equívoco.

Comportamentos desse naipe equivalem, de fato, aos problemas enfrentados nos mundos criados por Butler e Huxley. Em Butler, a doença era proibida; em Huxley, a felicidade era obrigatória. Hoje, fora da literatura, não podemos falhar. Nunca nos disseram que as distopias jamais se tornariam reais, afinal.
Não falho, logo existo Reviewed by Carlos Wolkartt on terça-feira, maio 02, 2017 Rating: 5
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